A UTI Neonatal de Vilhena fechou o ano de 2025 com um dos resultados mais expressivos já registrados pela unidade. Das 132 internações realizadas no período, apenas um óbito foi computado, o que representa uma taxa de mortalidade de 0,76% — um índice que coloca o serviço em patamar de excelência e equiparável ao de hospitais de referência em países desenvolvidos. Em números arredondados, 99 de cada 100 bebês internados na unidade receberam alta com vida.
Os dados são do Relatório Técnico de Indicadores Assistenciais da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, assinado pela coordenadora de enfermagem do serviço e apresentado à gestão administrativa do Hospital Adamastor Teixeira de Oliveira, sob administração do Grupo Chavantes. O documento consolida a análise de todo o ano de 2025 e revela uma unidade de alta complexidade que atende a uma população extremamente vulnerável: mais de 60% dos recém-nascidos internados nasceram prematuros e cerca de metade chegou ao serviço com baixo ou muito baixo peso.
Mortalidade muito abaixo da média nacional
O resultado de mortalidade impressiona quando comparado a parâmetros nacionais e internacionais. Dados do Observatório da Prematuridade, plataforma que reúne informações de hospitais brasileiros, mostram que a média de mortalidade de prematuros internados em UTI neonatal no Brasil é de 6%. Em Vilhena, o índice ficou em 0,76% — quase oito vezes menor que a média do país.
Em comparações internacionais, revisão científica publicada na revista Frontiers in Public Health aponta que a mortalidade em UTIs neonatais varia de 0,2% em centros de excelência de Israel até cerca de 29% em serviços com menos recursos.
Perfil de altíssima complexidade
O dado de mortalidade ganha ainda mais peso quando se considera o tipo de paciente atendido. O relatório técnico mostra que 63,6% dos recém-nascidos internados em 2025 eram prematuros, ou seja, nasceram antes das 37 semanas de gestação. Quase metade (49,9%) chegou com baixo peso, e outros 12,9% com muito baixo ou extremo baixo peso, ou seja, abaixo de 1.500 gramas — situação considerada de altíssimo risco em qualquer parte do mundo. Os distúrbios respiratórios, comuns em bebês prematuros, estiveram presentes em 47% das internações.
Outro indicador que reforça a gravidade do perfil atendido é o tempo médio de permanência: 17 dias por bebê, com casos chegando a 41 dias. São números compatíveis com unidades de alta complexidade, onde os recém-nascidos exigem suporte ventilatório, monitorização contínua e acompanhamento intensivo até estabilização clínica.
Referência regional consolidada
Os dados também confirmam o papel da UTI Neonatal de Vilhena como serviço de referência para todo o Cone Sul de Rondônia. Cerca de 67% das internações foram de pacientes do próprio município e mais de 20% vieram de cidades vizinhas da mesma região, que historicamente são atendidas pela rede de Vilhena. Apesar de receber casos transferidos de várias localidades, a unidade conseguiu resolver internamente a grande maioria dos atendimentos: 82,6% dos bebês receberam alta diretamente para casa após a internação, sem necessidade de transferência para serviços fora do município.
Os 18% que precisaram ser transferidos correspondem majoritariamente a casos que demandam subespecialidades não disponíveis localmente, como cirurgia cardíaca de recém-nascidos. Outro indicador relevante é a ausência total de readmissões em até 72 horas após a alta, sinal de que os bebês saíram do hospital efetivamente estabilizados, sem necessidade de retornar ao serviço.
Segurança do paciente em padrão de excelência
Além dos resultados clínicos, os indicadores de segurança do paciente também se destacaram. O relatório registra ausência de quedas, ausência de lesões por pressão, baixa taxa de flebite (0,5%) e baixa incidência de eventos adversos ao longo do ano. São indicadores que, segundo o documento técnico, evidenciam competência técnica da equipe, planejamento adequado do cuidado e cultura de segurança consolidada — elementos que estão entre os critérios mais valorizados pelos sistemas internacionais de acreditação hospitalar.
Resultado em uma região historicamente desafiadora
O desempenho ganha ainda mais relevância quando considerado o cenário regional. A Região Norte do Brasil tem, há anos, as taxas mais preocupantes de prematuridade e mortalidade infantil do país, frequentemente associadas a desafios de acesso ao pré-natal e a vulnerabilidades sociais. Mesmo nesse contexto, a UTI Neonatal de Vilhena está entregando um cuidado clinicamente comparável ao de redes neonatais de regiões mais ricas do Brasil e de países desenvolvidos.
Para a Secretaria Municipal de Saúde, os números reforçam a importância de continuar investindo em equipe especializada, em equipamentos e em protocolos de cuidado humanizado. O próprio relatório técnico aponta que o resultado positivo, alcançado mesmo diante de um perfil clínico extremamente complexo, reflete o alto desempenho técnico da equipe assistencial e a adesão a protocolos rigorosos. A divulgação dos dados também integra o esforço de transparência da gestão, que tem apostado no monitoramento sistemático dos indicadores como ferramenta para sustentar a qualidade da assistência prestada à população do Cone Sul de Rondônia.








































































